Espiritista Terra

Espiritista terra é um espaço criado em 30/05/2008, destinado a fiel divulgação da doutrina espírita.”Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” Livro dos Médiuns - Cap. XX, item 230. (O Editor).JFCR.

21.8.09

Reconhecimento? Não conte com isso!

Foi Jesus, com todo o seu conhecimento sobre o ser humano, quem nos afirmou categoricamente: “ninguém é profeta em sua terra”. Deixando, bem claro, que não deveríamos esperar reconhecimento por qualquer tipo de realização que por ventura fossemos capazes de empreender em nossa comunidade, seja ela, familiar, social, religiosa etc., pois, nem mesmo ele, como enviado do Pai, conseguiu a compreensão e o reconhecimento de sua sublime missão sequer em sua própria família consangüínea.

É, dessa forma, muito comum entre nós, espíritas, essa constatação; pois, por mais que alguém procure mostrar que de alguma forma está bem melhor do que anteriormente em relação ás suas atitudes para com seu semelhante, ou em relação ao seu nível de conhecimento dos postulados espíritas, ou em outro ponto de vista qualquer, ainda assim, não deve contar com o reconhecimento dos que os conhecem das suas vivências anteriores, pois, que o terão sempre por incapaz de qualquer realização de caráter superior.
 
Por mais que seja notório seu aprimoramento e crescimento no aspecto intelectual, moral, e particularmente no campo religioso, muito dificilmente logrará convencer aqueles de sua convivência mais íntima, no seio da família ou da sua comunidade, dos progressos que haja alcançado.
 
Não foi por outra razão, que Jesus nosso Modelo e Guia nos alertou para que não nos deixássemos levar por essa situação, e continuássemos a nos ocupar apenas com nosso progresso moral, sem preocupação com o reconhecimento alheio sobre nossa melhoria e crescimento, principalmente entre os nossos afeiçoados, conforme consta do seu evangelho e que transcrevemos a seguir:
 
“Tendo vindo à sua terra natal, instruía-os nas sinagogas, de sorte que, tomados de espanto, diziam: Donde lhe vieram essa sabedoria e esses milagres? – Não é o filho daquele carpinteiro? Não se chama Maria, sua mãe, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Suas irmãs não se acham todas entre nós? Donde então lhe vêm todas essas coisas? - E assim faziam dele objeto de escândalo. Mas, Jesus lhes disse: Um profeta só não é honrado em sua terra e na sua casa. - E não fez lá muitos milagres devido à incredulidade deles. (S. Mateus, cap. XIII, vv. 54-58)”. ¹
“(…) O princípio de tal verdade reside numa conseqüência natural da fraqueza humana e pode explicar-se deste modo:
 
O hábito de se verem desde a infância, em todas as circunstâncias ordinárias da vida, estabelece entre os homens uma espécie de igualdade material que, muitas vezes, faz que a maioria deles se negue a reconhecer superioridade moral num de quem foram companheiros ou comensais, que saiu do mesmo meio que eles e cujas primeiras fraquezas todos testemunharam. Sofre-lhes o orgulho com o terem de reconhecer o ascendente do outro. Quem quer que se eleve acima do nível comum está sempre em luta com o ciúme e a inveja. Os que se sentem incapazes de chegar à altura em que aquele se encontra esforçam-se para rebaixá-lo, por meio da difamação, da maledicência e da calúnia; tanto mais forte gritam, quanto menores se acham, crendo que se engrandecem e o eclipsam pelo arruído que promovem. Tal foi e será a História da Humanidade, enquanto os homens não houverem compreendido a sua natureza espiritual e alargado seu horizonte moral. Por aí se vê que semelhante preconceito é próprio dos espíritos acanhados e vulgares, que tomam suas personalidades por ponto de aferição de tudo (…)”. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV.) ²
 
Inúmeras, são, as situações em que comprovamos essa verdade anunciada por Jesus em nosso dia-a-dia, e verificamos que muito distantes ainda estamos do momento em que o reconhecimento da melhoria do nosso semelhante deixe de ser ignorada por nós, e dessa forma, não mais procurarmos enxergar somente a sua parte negativa, mas também, reconhecer a importância do seu esforço no trabalho de melhor.
 
Ainda não conseguimos valorizamos os gestos nobres do nosso companheiro de caminhada, que através de denodado esforço busca seu crescimento, em luta constante contra suas más inclinações; mas, não deixamos de criticá-lo quando comete um deslize qualquer, como se tivéssemos moral para condená-lo por proferir essa ou aquela palavra ou por cometer esse ou aquele ato impensado que qualquer criatura poderá cometer.
 
No entanto, ainda somos capazes de elogiar os trabalhos bem executados em nossa casa espírita, principalmente se não fazemos parte dele, mas, não deixamos de proferir nossas observações contrárias quando não estamos de acordo com os mesmos; não temos uma palavra de incentivo para aquele que se dedica a esta ou àquela função de caridade em benefício nosso e do nosso próximo, mas, não deixamos de cobrá-lo se esquecer de executar qualquer de suas atribuições, não somos capaz de reconhecer os progressos realizados por esse ou aquele companheiro no entendimento e divulgação da mensagem espírita, mas, não perdoamos quando comete qualquer deslize doutrinário.  
 
Assim sendo, está mais que na hora de revertermos essa situação, que, antes de tudo, demonstra o quanto ainda somos mesquinhos, invejosos, ciumentos, pequenos em termos de moralidade, conforme nos esclarece o evangelho no texto acima citado, e, procurarmos incentivar e seguir o exemplo de todos esses irmãos que mesmo a custa de grande sacrifício e esforço individual, estão conseguindo logrando superar suas deficiências; e, em vez de fingirmos que não estamos notando seu progresso, procurar dentro de nossas possibilidades, seguir seus exemplos, e ainda, incentivar, e reconhecer a transformação que estão procedendo e alcançando.
 
Ouçamos, pois, o conselho do benfeitor Emmanuel que nos diz: “Esforcemo-nos por fazer o melhor ao nosso alcance, desde agora, e a perfeição ser-nos-á, um dia, preciosa fonte de bên­çãos, descortinando-nos luminoso porvir”. ³
 
Que o Mestre de Nazaré nos guarde em sua paz.
 
 
Bibliografia:
1) A Gênese,  cap. XIII, vv. 54-58)”;
2) Kardec, Alan. O Evangelho segundo o Espiritismo – FEB 112ª edição – Cap. XVII;
3) Xavier, Francisco Cândido - livro: Nascer e Renascer, Cap. 16- ditado pelo Espírito Emmanuel.
 
Francisco Rebouças.
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19.6.09

Mortes Coletivas

Nas mortes coletivas, como no caso tão dramático ocorrido na Ásia, provocadas pela fúria das ondas gigantes conhecidas por TSUNAMIS, nos recentes DESASTRES AÉREOS, e em diversos outros provocados pela FÚRIA DA NATUREZA, ocorridos em todo o mundo, que causaram tanta destruição, morte e sofrimento para os envolvidos direta ou indiretamente, só encontraremos uma justificativa lógica para os respectivos acontecimentos, se colocarmos em prática os conhecimentos que só a doutrina espírita nos pode fornecer, para confirmar que até mesmo nessas catástrofes a Lei de Justiça se faz presente, pois como nos afirma o codificador, não há efeito sem uma causa que o justifique.

Na medida em que vivemos a dizer em todas as correntes religiosas que Deus é infinitamente Bom e Justo daí em diante, não mais aceitamos crer que possa acontecer algo com quem quer que seja, que não esteja dentro dos parâmetros traçados pela sua justiça perfeita, ou então, estamos simplesmente a falar de algo que ainda não cremos.

Quando a doutrina espírita nos ensina que, a reencarnação é a chave para que possamos entender a justiça de Deus, muitos religiosos ainda arraigados em conceitos milenares e recheados de dogmas, superstições, e tendo como base a fé cega não vêem assim, pois muitos ainda acreditam que a graça de Deus lhes dará a salvação pela fé, sem levarem em consideração o ensinamento contido na Epístola de Tiago, Cap.2 v.17 que nos diz que “assim também a fé, se não tiver obras é morta em si mesma”, não atentando para o fato de que, se a fé sem obra é morta, não poderá garantir salvação a ninguém. ¹

Alicerçam suas justificativas pueris, na crença de que é simplesmente por que Deus julgou que assim deveria proceder, não dando qualquer importância à vida e ao destino dessas criaturas, não percebendo que agindo dessa maneira por simples desejo seu sem qualquer justificativa para o fato, estaria ELE, obrando como qualquer ser humano insensato e até mesmo irresponsável e injusto, pois estaria atingindo seres como inúmeras crianças atingidas pelos citados desastres, sem que a pobre criatura saiba porque, está sendo incluída no rol dos infelizes inimigos desse Deus que resolveu dar vazão a sua ira, e, sem qualquer motivo plausível, resolveu punir essas desafortunadas vítimas selecionadas por ele; não levando em conta sequer que seres “inocentes”, com poucos dias de vida estariam sendo também atingidos.

Sendo assim, nos damos o direito de perguntar aos que assim pensam: que Deus é esse tão imprevisível e injusto, que deva merecer nossa confiança, nossa fé, nossa esperança?

O Deus que conhecemos na doutrina espírita é antes de tudo Pai, amoroso, justo e bom, incapaz por isso mesmo, de cometer atos dessa natureza com quem quer que seja, e justifica sua maravilhosa filosofia consoladora, nos afirmando que para todos esses irmãos envolvidos de alguma forma nesses terríveis acontecimentos, a Lei de causa e efeito se faz presente, confirmando o ensinamento de Jesus ao nos instruir que “a cada um segundo as suas obras”.

Todos os nossos irmãos que pereceram pelo efeito devastador das citadas catástrofes coletivas, carregavam consigo motivos para se ajustarem com a Lei, a fim de quitar seus débitos com a Justiça Divina que não falha jamais, encontrando aí a oportunidade sublime do resgate libertador.

O Codificador da Doutrina espírita elaborou uma série de questões pertinentes ao tema contidas no Livro dos Espíritos, PARTE 3ª - CAPÍTULO – VI. DA LEI DE DESTRUIÇÃO, que achamos oportuno trazer para nossa melhor compreensão sobre o assunto em pauta:

Flagelos destruidores

Pergunta: 737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?

“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são freqüentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.” (744)

Pergunta: 738. Para conseguir a melhora da Humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores?

“Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.”

a) - Mas, nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso. Será
justo isso?

“Durante a vida, o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, de maneira diversa pensa depois da morte. Ora, conforme temos dito, a vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no vosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto vos queixais. Representam um ensino que se vos dá e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real (85). Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a Sua solicitude. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles.”

b) - Mas, nem por isso as vítimas desses flagelos deixam de o ser.

“Se considerásseis a vida qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Em outra vida, essas vítimas acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.”

Venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo.

Se, pelo pensamento, pudéssemos elevar-nos de maneira a dominar a Humanidade e abrangê-la em seu conjunto, esses tão terríveis flagelos não nos pareceriam mais do que passageiras tempestades no destino do mundo.

Pergunta: 739. Têm os flagelos destruidores utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam?

“Têm. Muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.”

Pergunta: 740. Não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, por porem-no a braços com as mais aflitivas necessidades?

“Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.”

Pergunta: 741. Dado é ao homem conjurar os flagelos que o afligem?

“Em parte, é; não, porém, como geralmente o entendem. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à vontade de Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência.”


Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra. Não tem, porém, o homem encontrado na Ciência, nas obras de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de impedir, ou, quando menos, de atenuar muitos desastres? Certas regiões, outrora assoladas por terríveis flagelos, não estão hoje preservadas deles? Que não fará, portanto, o homem pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar-se de todos os recursos da sua inteligência e quando aos cuidados da sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes? (707) ²

No Livro Obras Póstumas, Segunda Parte, pág. 215, no Capítulo intitulado: Questões e problemas - As expiações coletivas, o espírito Clélie DUPLANTIER, assim nos esclarece em um dos trechos de sua mensagem sobre o tema:

“Salvo exceção, pode-se admitir como regra geral que todos aqueles que têm uma tarefa comum reunidos numa existência, já viveram juntos para trabalharem pelo mesmo resultado, e se acharão reunidos ainda no futuro, até que tenham alcançado o objetivo, quer dizer, expiado o passado, ou cumprido a missão aceita.


Graças ao Espiritismo, compreendeis agora a justiça das provas que não resultam de atos da vida presente, porque já vos foi dito que é a quitação de dívidas do passado; por que não ocorreria o mesmo com as provas coletivas? Dissestes que as infelicidades gerais atingem o inocente como o culpado; mas sabeis que o inocente de hoje pode ter sido o culpado de ontem? Que tenha sido atingido individualmente ou coletivamente, é que o mereceu. E, depois, como dissemos, há faltas do indivíduo e do cidadão; a expiação de umas não livra da expiação das outras, porque é necessário que toda dívida seja paga até o último centavo. As virtudes da vida privada não são as da vida pública; um, que é excelente cidadão, pode ser muito mau pai de família, e outro, que é bom pai de família, probo e honesto em seus negócios, pode ser um mau cidadão, ter soprado o fogo da discórdia, oprimido o fraco, manchado as mãos em crimes de lesa-sociedade. São essas faltas coletivas que são expiadas coletivamente pelos indivíduos que para elas concorreram, os quais se reencontram para sofrerem juntos a pena de talião, ou ter a ocasião de repararem o mal que fizeram, provando o seu devotamento à coisa pública, socorrendo e assistindo aqueles que outrora maltrataram. O que é incompreensível, inconciliável com a justiça de Deus, sem a preexistência da alma, se torna claro e lógico pelo conhecimento dessa lei.

A solidariedade, que é o verdadeiro laço social, não está, pois, só para o presente; ela se estende no passado e no futuro, uma vez que as mesmas individualidades se encontraram, se reencontram e se encontrarão para subirem juntas a escala do progresso, prestando-se concurso mútuo. Eis o que o Espiritismo faz compreender pela equitativa lei da reencarnação e a continuidade das relações entre os mesmos seres”. ³

Em Outras Obras

Vamos encontrar na valorosa obra mediúnica do extraordinário médium Chico Xavier, mais precisamente no Livro Chico Xavier pede Licença, no capítulo 19, intitulado “Desencarnações Coletivas”, as sábias explicações para o fenômeno das mortes coletivas, quando o benfeitor Emmanuel, responde pergunta endereçada a ele por algumas dezenas de pessoas em reunião pública realizada na noite de 22/08/1972, em Uberaba, MG, que transcrevemos na íntegra conforme abaixo:
Pergunta:
Sendo Deus a Bondade Infinita, porque permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos de incêndios?

Resposta:
“Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliada à Justiça Perfeita. E o Homem, filho de deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio.

Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.

É assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla.

Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontro marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos.

Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras.

Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas.

Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidades na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.

Criamos a culpa e nós mesmos engenhamos os processos destinados a extinguir-lhe as conseqüências. E a Sabedoria Divina se vale dos nossos esforços e tarefas de resgate e reajuste a fim de induzir-nos a estudos e progressos sempre mais amplos no que diga respeito à nossa própria segurança. É por este motivo que, de todas as calamidades terrestres, o Homem se retira com mais experiência e mais luz no cérebro e no coração, para defender-se e valorizar a vida.

Lamentemos sem desespero quantos se fizeram vítimas de desastres que nos confrangem a alma. A dor de todos eles é a nossa dor. Os problemas com que se defrontam são igualmente nossos.


Não nos esqueçamos, porém, de que nunca estamos sem a presença de Misericórdia Divina junto às ocorrências da Divina Justiça, que o sofrimento é invariavelmente reduzido ao mínimo para cada um de nós, que tudo se renova para o bem de todos e que Deus nos concede sempre o melhor”.

No Livro O Consolador, de Emmanuel através da abençoada psicografia de Chico Xavier, encontramos a seguinte pergunta e respectiva resposta que abaixo transcrevemos:

Pergunta 250: Como se processa a provação coletiva?

Resposta: “Na provação coletiva verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro.


O mecanismo da justiça, na lei das compensações, funciona então espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas da dívida do pretérito para os resgates em comum, razão porque, muitas vezes, intitulais “doloroso caso” às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro dos seus compromissos individuais”.

No Livro Temas da Vida e da Morte, de Manoel Philomeno de Miranda, por Divaldo Pereira Franco, no capítulo intitulado “Flagelos e Males”, encontramos a seguinte explicação para esse tipo de acontecimento que entristece toda humanidade: “O abuso das paixões, e não o uso correto que leva aos ideais do amor e ao arrebatamento pelas causas nobres, é o agente dos flagelos e males que se voltam contra o próprio homem e o infelicitam”.

Diante de tantos lúcidos esclarecimentos não podemos ter mais quaisquer dúvidas de que a justiça divina exerce sua ação exatamente com todos aqueles que em algum momento contrariaram a harmonia da Lei de Amor e Caridade e, por isso mesmo, cedo ou tarde se defrontarão inexoravelmente com a Lei de Causa e Efeito, ou se preferirem com a máxima proferida pela doutrina cristã quando nos assevera: “A semeadura é livre, mas, a colheita é obrigatória”.

Passamos, agora, fundamentados pelos ensinamentos hauridos nesta abençoada doutrina a analisar alguns dos efeitos dessa Lei maior, utilizando o recurso da morte coletiva conforme segue:

Na TRAGÉDIA DO CIRCO ocorrida em Niterói

Estiveram envolvidos naquele episódio, ocorrido no circo em Niterói, os mesmos personagens que no ano de 177 de nossa era, queimaram cerca de mil crianças e mulheres cristãs numa arena de um circo na Gália, região da França.

E, para o devido reajuste com a Lei de Causa e efeito foram convocados ao devido resgate acontecido naquele inesquecível dia 17 de dezembro de 1961, em comovedora tragédia acontecida no circo em Niterói, onde a justiça da Lei Divina, através da reencarnação, reuniu os responsáveis em diversas situações e graus de comprometimento no desatino ocorrido no pretérito, para a dolorosa expiação de seus atos selvagens praticados contra os cristãos indefesos sem dó nem piedade, sob os auspício da fúria sanguinolenta dos Imperadores da Roma Antiga.

Nos casos de ACIDENTES DE AVIÃO

No Livro Ação e Reação, capítulo 18, intitulado “Resgates Coletivos”, do espírito André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier, nos traz as explicações do orientador Druso sobre as vítimas de um acidente ocorrido com um avião provocando várias mortes: “Imaginemos que fossem analisar as origens da provação a que se acolheram os acidentados de hoje…


Surpreenderiam, decerto, delinqüentes que, em outras épocas, atiraram irmãos indefesos do cimo de torres altíssimas, para que seus corpos se espatifassem no chão; companheiros que, em outro tempo, cometeram hediondos crimes sobre o dorso do mar, pondo a pique existências preciosas, ou suicidas que se despenharam de arrojados edifícios ou de picos agrestes, em supremo atestado de rebeldia, perante a Lei, os quais, por enquanto, somente encontram recurso em tão angustioso episódio para transformarem a própria situação”.

Nos casos de mortes causadas por TERREMOTOS

Sabemos que a justiça está concedendo a oportunidade para que os antigos guerreiros covardes e desumanos do passado que destruíram cidades, arrasaram lares, matando mulheres e crianças e velhos, sob os escombros de suas casas, fazendo milhares de vítimas, ao reencarnarem em novos corpos, atraídos por uma força magnética provocadas pelos crimes praticados coletivamente, se reúnem em determinadas circunstâncias, e sofrem “na pele” por meio de um terremoto ou outra catástrofe semelhante, o mal na mesma proporção do que impuseram às suas vítimas indefesas de ontem.

Nas OUTRAS VÁRIAS SITUAÇÕES

Conforme nos esclareceu Emmanuel na mensagem acima transcrita, solicitamos nossa redenção perante a justiça divina, ao compreendermos o quanto fomos danosos para a sociedade em que nos comprometemos, e o Pai por infinita bondade nos dá a suprema oportunidade de nos quitarmos perante nossa própria consciência que abriga todas as suas soberanas Leis, para que conquistemos por nossos próprios atos a libertação do grilhão que nos prendem aos abismos das trevas, com objetivo de buscarmos reparar nossos delitos e irresponsabilidades contraídas no passado, para então procedermos em direção a nossa essência espiritual que é fonte de amor e harmonia.

Finalizando, este nosso modesto estudo, sobre tão grave assunto deste instante doloroso, vivido por inúmeras famílias que perderam seus entes queridos de forma tão trágica, alertamos para o cuidado que devemos ter com a nossa semeadura presente que serão decisivas para o nosso porvir, visto que não temos como alterar as nossas ações efetuadas no passado distante, mas podemos se quisermos modificar para melhor o nosso destino futuro, levando em consideração que: “só os atos definem o verdadeiro cristão”, pois o reino de Deus não se conquista com aparências exteriores, e devemos sempre ter em mente que: “o universo é o lar de uma só família, onde Deus é por todos, e cada criatura por seus irmãos”.

Que a presença de Jesus nos mantenha os corações alegres e unidos hoje e sempre.

Fontes:

1) Epístola de Tiago, Cap.2 v.17.
2) O Livro do Espíritos – FEB. 76ª edição.
3) Obras Póstumas – FEB. 13ª edição – Segunda Parte, pág. 215, Capítulo intitulado: Questões e problemas - As expiações coletivas.
4) Livro Chico Xavier pede Licença, no capítulo 19, intitulado “Desencarnações Coletivas”
5) Livro O Consolador – Chico Xavier pelo Espírito Emmanue l, Pergunta 250.
6) Livro Temas da Vida e da Morte, de Manoel Philomeno de Miranda, por Divaldo Pereira Franco, no capítulo intitulado “Flagelos e Males.
7) Livro Ação e Reação – Chico Xavier pelo espírito Emmanuel, capítulo 18, intitulado “Resgates Coletivos.

8) Grifos Nossos.

Francisco Rebouças.

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14.6.09

O Sono nas reuniões espíritas

Todos nós sabemos da necessidade do sono para o refazimento do nosso organismo físico. No entanto, é preciso que se atente para o fato, de que nem sempre nos é adequado fazer uso dessa bênção para nos restabelecer o equilíbrio, havendo até mesmo ocasiões em que ele pode até se tornar fatal para nossas vidas.

Há momentos em que não se pode admitir que alguém possa estar dormindo como, por exemplo, na hora do trabalho remunerado, que pode lhe custar até mesmo a demissão por justa causa; ou quando estiver com a responsabilidade de cuidar de uma criança; ou ainda no trânsito ao volante de um veículo nas rodovias brasileiras, imagine um médico dormindo ou mesmo cochilando, durante uma cirurgia delicada, etc. etc. Assim, podemos afirmar que, “o sono exercido à hora em que se solicita a vigília, pode tornar-se inimigo cruel e implacável”.
 
Alan Kardec nos esclarece a respeito da utilidade do sono conforme segue:
 
À hora de dormir
 
“O sono tem por fim dar repouso ao corpo; o Espírito, porém, não precisa de repousar. Enquanto os sentidos físicos se acham entorpecidos, a alma se desprende, em parte, da matéria e entra no gozo das faculdades do Espírito. O sono foi dado ao homem para reparação das forças orgânicas e também para a das forças morais. Enquanto o corpo recupera os elementos que perdeu por efeito da atividade da vigília, o Espírito vai retemperar-se entre os outros Espíritos. Haure, no que vê, no que ouve e nos conselhos que lhe dão, idéias que, ao despertar, lhe surgem em estado de intuição. É a volta temporária do exilado à sua verdadeira pátria. É o prisioneiro restituído por momentos à liberdade.
 
Mas, como se dá com o presidiário perverso, acontece que nem sempre o Espírito aproveita dessa hora de liberdade para seu adiantamento. Se conserva instintos maus, em vez de procurar a companhia de Espíritos bons, busca a de seus iguais e vai visitar os lugares onde possa dar livre curso aos seus pendores.
 
Eleve, pois, aquele que se ache compenetrado desta verdade, o seu pensamento a Deus, quando sinta aproximar-se o sono, e peça o conselho dos bons Espíritos e de todos cuja memória lhe seja cara, a fim de que venham juntar-se-lhe, nos curtos instantes de liberdade que lhe são concedidos, e, ao despertar, sentir-se-á mais forte contra o mal, mais corajoso diante da adversidade.” ¹
 
Nas reuniões espíritas, sejam nas palestras, nos grupos de estudos, nas reuniões mediúnicas, ou outra qualquer, não se pode admitir que o trabalhador espírita dê menos importância aos labores da Seara do Mestre de Nazaré, que nos afazeres normais do seu dia a dia, visto que, em sendo ele admitido para essas tarefas na seara da mediunidade, acredita-se que esteja consciente de sua responsabilidade nas referidas tarefas da casa espírita que freqüenta.
 
Temos visto muitos companheiros, alistados nas tarefas das cassas espíritas, que são protagonistas de situações realmente desagradáveis, por se entregarem ao sono nas reuniões doutrinárias, que normalmente já chegam atrasados com a intenção única de dar passes no final das palestras, para que sejam observados por todos como tarefeiros passistas de suas instituições. Quando se vêem chamados a dar algumas explicações sobre o sono que lhes dominam, saem com as maiores e mais absurdas desculpas tais como:
 
1- Estou sendo utilizado pelos espíritos para ceder fluidos para ajuda ao orador;
2- Estou trabalhando em parcial desdobramento;
3- Alguns chegam a afirmar, que aprendem muito mais desdobrados que em vigília, etc.
 
Claro que esse desculpismo infundado e sem lógica doutrinária é natural naqueles que se julgam mais sabidos que os outros, mas, que na verdade em nada condiz com alguém que conhece os preceitos de uma doutrina clara e lógica como a nossa. Sabemos, que o cansaço físico de um dia atribulado no trabalho profissional, aliado à falta de motivação e a monotonia de determinados oradores, muito pode contribuir para a sonolência de quem já tem o mau hábito de dormir nas atividades espirituais da casa espírita.
 
Mas, esses fatores predisponentes aqui citados, não representam a verdadeira causa do adormecimento nesse tipo de reunião, que na sua grande maioria se processa pela interferência de mentes viciosas do mundo espiritual inferior, que operam magneticamente à distância, com a finalidade de não permitirem que o indivíduo adormecido se beneficie do tema edificante da palestra.
 
“Sobre o assunto, vejamos o que diz o assistente “Aulus” para André Luiz: “(…) Os expositores da boa palavra po­dem ser comparados a técnicos eletricistas, desli­gando «tomadas mentais», através dos princípios libertadores que distribuem na esfera do pensa­mento.
 
Sorriu bem-humorado e prosseguiu:
 
—   Em razão disso, as entidades vampirizantes operam contra eles, muitas vezes envolvendo-lhes os ouvintes em fluidos entorpecentes, conduzindo esses últimos ao sono provocado, para que se lhes adie a renovação”.2
 
Irmã Zélia, também confirma a ação perniciosa dos desencarnados infelizes que se aproveitam da invigilância de certos tarefeiros, que imprevidentes e despreparados para os miteres da mediunidade se deixam envolver por essas influências negativas conforme narra a Otila Gonçalves, como segue:
 
“Alguns – prosseguiu – penaliada-, embora libertados momentaneamente das expressões obsidentes, penetram o recinto, com desrespeito e indiferença, entragando-se, durante o trabalho, ao sono reprochável, resultante da intoxicação mental de que são portadores, ou se deixam conduzir pelos pensamentos habituais, refazendo as ligações mentais e ameaçando o serviço venerando, pela possibilidade de invasão intempestiva dos seus algozes revoltados, constrangidos, na retarguarda, e que, destarte, encontram brechas no conjunto que deve ser protegido e defendido por todos.”  3
 
Dessa forma, é de suma importância que nos preparemos adequadamente, para execer as atividades no labor mediúnico, em nossas casas espíritas, observando alguns ensinos ministrados pelos amigos espirituais deentre os quais destacamos:
 
a- Quando possível, fazer um pequeno relaxamento físico e mental, antes de se dirigir ao trabalho espiritual da casa espírita;
b- Evitar alimentação exagerada e de difícil digestão;
c- Dedicar-se com alegria e empenho às atividades espirituais, por saber que estamos representando Jesus ante o necessitado que o busca;
d- Evitar coversas negativas, como críticas, comentários sobre doenças, queixas, etc., portando-se de forma mais dígna exigida para um trabalhador da Seara do mestre de Nazaré;
e- Manter-se em sintonia elevada, orando e vibrando positivamente, contribuindo para o êxito do trabalho.
 
Precisamos atentar para o fato de que, somos os únicos responsáveis pelas escolhas que fazemos e não podemos ficar acusando este ou aquele indivíduo, ou este ou aquele motivo para nos desculpar dos nossos insucessos perante as tarefas de cunho espiritual a nós confiadas pela Espiritualidade Maior. Sobre esse assunto, ouçamos o que nos diz André Luiz:
 
Não acuse os Espíritos desencarnados sofredores, pelos seus fracassos na luta. Re­pare o ritmo da própria vida, examine a re­ceita e a despesa, suas ações e reações, seus modos e atitudes, seus compromissos e determinações, e reconhecerá que você tem a situação que procura e colhe exata­mente o que semeia”. 4
 
Que Jesus nos garde em sua paz, e que não sejamos nós os responsáveis pelo fracasso das atividades de intercâmbio nas tarefas a que nos candidatamos por livre e espontânea vontade.
 
Fontes:
 
1) E.S.E. – Cap. XVIII, item 38.
 
2) Livro: Além da Morte , 9ª edição – Cap. XVI, pag. 239.
 
3) Livro: Nos domínios da mediunidade , 23ª edição– Cap. 4, pag. 39.
 
4) Livro: Agenda Cristã – Cap. 18.
 
Espiritista Terra
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12.6.09

Precisamos meditar e orar!

Há momentos em que precisamos nos recolher para meditar com sinceros propósitos de analisar os acontecimentos à nossa volta, para que consigamos encontrar uma solução equilibrada e decente para enfrentá-los e resolvê-los. Justamente aí, se nos apresenta sublime oportunidade de reflexão e análise das diversas formas que temos para enfrentar os problemas com maior maturidade, pois, em meditando com calma, orando com fé e solicitando a inspiração dos Amigos do Além, certamente obteremos a necessária ajuda para então procedermos no trabalho de resolução das questões pendentes.

Claro que os Espíritos Amigos, não estarão fazendo o que nos compete realizar, mas estarão nos dando a devida inspiração, e, também, intuindo outras pessoas, de forma a nos ajudar para que tudo possa ser resolvido da melhor forma para todos os envolvidos.

Em o Evangelho Segundo o Espiritismo os Emissários Celestes nos instruem de forma bem clara e simples sobre o assunto, conforme segue:

11. Pela prece, obtém o homem o concurso dos bons Espíritos que acorrem a sustentá-lo em suas boas resoluções e a inspirar-lhe idéias sãs. Ele adquire, desse modo, a força moral necessária a vencer as dificuldades e a volver ao caminho reto, se deste se afastou. Por esse meio, pode também desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas. Um homem, por exemplo, vê arruinada a sua saúde, em conseqüência de excessos a que se entregou, e arrasta, até o termo de seus dias, uma vida de sofrimento: terá ele o direito de queixar-se, se não obtiver a cura que deseja? Não, pois que houvera podido encontrar na prece a força de resistir às tentações”. ¹

Pelo exposto, podemos facilmente compreender, que não estamos entregues à própria sorte como muitos ainda pensam. Teremos a necessária ajuda sempre que solicitarmos com toda fé em alcançar, meditando e orando com humildade de quem sabe que nada é capaz sem a permissão de Deus nosso Pai e Criador, só precisamos atentar para o fato de que os Espíritos Amigos só fazem o que lhes é permitido fazer, deixando ao solicitante a decisão de seguir ou não as inspirações que lhes chegarem, respeitando o livre arbítrio de cada criatura, conforme segue.

(…) Ora, aqui, facilmente se concebe a ação da prece, visto ter por efeito atrair a salutar inspiração dos Espíritos bons, granjear deles força para resistir aos maus pensamentos, cuja realização nos pode ser funesta. Nesse caso, o que eles fazem não é afastar de nós o mal, porém, sim, desviar-nos a nós do mau pensamento que nos pode causar dano; eles em nada obstam ao cumprimento dos decretos de Deus, nem suspendem o curso das leis da Natureza; apenas evitam que as infrinjamos, dirigindo o nosso livre-arbítrio. Agem, contudo, à nossa revelia, de maneira imperceptível, para nos não subjugar a vontade. O homem se acha então na posição de um que solicita bons conselhos e os põe em prática, mas conservando a liberdade de segui-los, ou não. Quer Deus que seja assim, para que aquele tenha a responsabilidade dos seus atos e o mérito da escolha entre o bem e o mal. E isso o que o homem pode estar sempre certo de receber, se o pedir com fervor, sendo, pois, a isso que se podem sobretudo aplicar estas palavras: "Pedi e obtereis." 2

Que possamos ter a necessária tranqüilidade nos momentos de aflições e dificuldades, para buscarmos as melhores inspirações dos bons Amigos Celestes, através da concentração e da prece, para que possamos encontrar nas horas em que precisarmos a melhor solução para nossas necessidades.

Fonte:
1) O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVII – item 11.

2) Idem, idem. Cap. XXVII – item 12.

 

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3.6.09

A Justiça é uma Lei Divina

Torna-se de suma importância, entender que a justiça faz parte integrante da Lei Divina, e, que, ninguém estará imune aos seus ditames, isto é, todos nós algum dia, estaremos sendo chamados à “prestação de contas” para “dar conta de nossa administração”. Assim sendo, precisamos o quanto antes aprender a desenvolver em nós o senso de justiça, para que não tenhamos mais tarde problemas a enfrentar diante do tribunal de nossa própria consciência a nos cobrar ações dignas de um filho de Deus a caminho da perfeição.

Por mais que não levemos muito a sério, a justiça dos homens, é preciso saibamos que a justiça Divina não se esquecerá de “dar a cada um segundo as suas obras”, como bem nos afirmou o Mestre de Nazaré, e que não devemos esperar nenhum jeitinho brasileiro, para nos esquivarmos de seus efeitos verdadeiramente justos, que não levarão em conta nossa posição social, nossa cor, nosso sexo, nossa atual visão de justiça, etc., etc.
 
A justiça está contida na Lei de Amor e Caridade, como nos afirmam os Imortais da Vida Maior, nas questões que seguem do Livro dos Espíritos, que abaixo transcrevemos:
 
Justiça e direitos naturais
 
“873. O sentimento da justiça está em a Natureza, ou é resultado de idéias adquiridas?
“Está de tal modo em a Natureza, que vos revoltais à simples idéia de uma injustiça. É fora de dúvida que o progresso moral desenvolve esse sentimento, mas não o dá. Deus o pôs no coração do homem. Daí vem que, freqüentemente, em homens simples e incultos se vos deparam noções mais exatas da justiça do que nos que possuem grande cabedal de saber.”
 
874. Sendo a justiça uma lei da Natureza, como se explica que os homens a entendam de modos tão diferentes, considerando uns justo o que a outros parece injusto?
“É porque a esse sentimento se misturam paixões que o alteram, como sucede à maior parte dos outros sentimentos naturais, fazendo que os homens vejam as coisas por um prisma falso.”
 
875. Como se pode definir a justiça?
“A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais.”
 
a)    - Que é o que determina esses direitos?
“Duas coisas: a lei humana e a lei natural. Tendo os homens formulado leis apropriadas a seus costumes e caracteres, elas estabeleceram direitos mutáveis com o progresso das luzes. Vede se hoje as vossas leis, aliás imperfeitas, consagram os mesmos direitos que as da Idade Média. Entretanto, esses direitos antiquados, que agora se vos afiguram monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época. Nem sempre, pois, é acorde com a justiça o direito que os homens prescrevem. Demais, este direito regula apenas algumas relações sociais, quando é certo que, na vida particular, há uma imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência.”
 
876. Posto de parte o direito que a lei humana consagra, qual a base da justiça, segundo a lei natural?
“Disse o Cristo: Queira cada um para os outros o que quereria para si mesmo. No coração do homem imprimiu Deus a regra da verdadeira justiça, fazendo que cada um deseje ver respeitados os seus direitos. Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante, em dada circunstância, trate o homem de saber como quereria que com ele procedessem, em circunstância idêntica. Guia mais seguro do que a própria consciência não lhe podia Deus haver dado.”
Efetivamente, o critério da verdadeira justiça está em querer cada um para os outros o que para si mesmo quereria e não em querer para si o que quereria para os outros, o que absolutamente não é a mesma coisa. Não sendo natural que haja quem deseje o mal para si, desde que cada um tome por modelo o seu desejo pessoal, é evidente que nunca ninguém desejará para o seu semelhante senão o bem. Em todos os tempos e sob o império de todas as crenças, sempre o homem se esforçou para que prevalecesse o seu direito pessoal. A sublimidade da religião cristã está em que ela tomou o direito pessoal por base do direito do próximo.
 
877. Da necessidade que o homem tem de viver em sociedade, nascem-lhe obrigações especiais?
“Certo e a primeira de todas é a de respeitar os direitos de seus semelhante. Aquele que respeitar esses direitos procederá sempre com justiça. Em o vosso mundo, porque a maioria dos homens não pratica a lei de justiça, cada um usa de represálias. Essa a causa da perturbação e da confusão em que vivem as sociedades humanas. A vida social outorga direitos e impões deveres recíprocos.”
 
878. Podendo o homem enganar-se quanto à extensão do seu direito, que é o que lhe fará conhecer o limite desse direito?
“O limite do direito que, com relação a si mesmo, reconhecer ao seu semelhante, em idênticas circunstâncias e reciprocamente.”
 
a) - Mas, se cada um atribuir a si mesmo direitos iguais aos de seu semelhante, que virá a ser da subordinação aos superiores? Não será isso a anarquia de todos os poderes?
“Os direitos naturais são os mesmos para todos os homens, desde os de condição mais humilde até os de posição mais elevada. Deus não fez uns de limo mais puro do que o de que se serviu para fazer os outros, e todos, aos Seus olhos, são iguais. Esses direitos são eternos. Os que o homem estabeleceu perecem com as suas instituições. Demais, cada um sente bem a sua força ou a sua fraqueza e saberá sempre ter uma certa deferência para com os que o mereçam por suas virtudes e sabedoria. É importante acentuar isto, para que os que se julgam superiores conheçam seus deveres, a fim de merecer essas deferências. A subordinação não se achará comprometida, quando a autoridade for deferida à sabedoria.”
 
879. Qual seria o caráter do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza?
 “O do verdadeiro justo, a exemplo de Jesus, porquanto praticaria também o amor do próximo e a caridade, sem os quais não há verdadeira justiça.”
 
Diante de questões tão elucidativas como estas, não mais temos o direito de agir para com nosso semelhante, de outra forma que não seja levando em conta a observância de tais instruções, que a doutrina espírita nos põe ao alcance, de forma tão explícita.
 
Precisamos também atentar para outros aspectos da Lei de Justiça, que muitas das vezes negligenciamos, a pretexto e por conta de conveniências com desculpas que não justificam nossas ações diante de muitos fatos corriqueiros em nossas vidas, mas, que não passarão em branco perante o tribunal Divino, por mais que façamos de tudo para nos isentar das responsabilidades de tais ações.
 
Uma dessas situações acontece justamente quando decidimos por possuir ou conquistar bens e vantagens materiais, sem respeitar o direito do nosso semelhante, com ações danosas e prejudiciais pelas quais muitas pessoas são lesadas em seus direitos ou em seus sentimentos, para que nossa sede de poder seja realizada, não nos importando o dano material ou moral causado a quem quer que seja. 
 
Por mais que não enxerguemos ou até mesmo que a lei humana imperfeita como ainda é, possa consagrar, há direitos que a Lei Divina não aprova, e que nossa consciência que a possui, também nos reprova, embora não a ouçamos com a devida atenção. Sobre o assunto, vejamos abaixo as instruções dos Espíritos Superiores, em respostas as questões formuladas por Allan Kardec, ainda em O Livro dos Espíritos.
 
Direito de propriedade. Roubo
 
880. Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?
“O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.”
 
881. O direito de viver dá ao homem o de acumular bens que lhe permitam repousar quando não mais possa trabalhar?
“Dá, mas ele deve fazê-lo em família, como a abelha, por meio de um trabalho honesto, e não como egoísta. Há mesmo animais que lhe dão o exemplo de previdência.”
 
882. Tem o homem o direito de defender os bens que haja conseguido juntar pelo seu trabalho?
“Não disse Deus: “Não roubarás?” E Jesus não disse: “Dai a César o que é de César?”
O que, por meio do trabalho honesto, o homem junta constitui legítima propriedade sua, que ele tem o direito de defender, porque a propriedade que resulta do trabalho é um direito natural, tão sagrado quando o de trabalhar e de viver.
 
883. É natural o desejo de possuir?
“Sim, mas quando o homem deseja possuir para si somente e para sua satisfação pessoal, o que há é egoísmo.”
 
a) - Não será, entretanto, legítimo o desejo de possuir, uma vez aquele que tem de que viver a ninguém é pesado?
“Há homens insaciáveis, que acumulam bens sem utilidade para ninguém, ou apenas para saciar suas paixões. Julgas que Deus vê isso com bons olhos? Aquele que, ao contrário, junta pelo trabalho, tendo em vista socorrer os seus semelhantes, pratica a lei de amor e caridade, e Deus abençoa o seu trabalho.”
 
884. Qual o caráter da legítima propriedade?
“Propriedade legítima só é a que foi adquirida sem prejuízo de outrem.” (808) Proibindo-nos que façamos aos outros o que não desejáramos que nos fizessem, a lei de amor e de justiça nos proíbe, ipso facto, a aquisição de bens por quaisquer meios que lhe sejam contrários.
 
885. Será ilimitado o direito de propriedade?
“É fora de dúvida que tudo o que legitimamente se adquire constitui uma propriedade. Mas, como havemos dito, a legislação dos homens, porque imperfeita, consagra muitos direitos convencionais, que a lei de justiça reprova. Essa a razão por que eles reformam suas leis, à medida que o progresso se efetua e que melhor compreendem a justiça. O que num século parece perfeito, afigura-se bárbaro no século seguinte.” (795).
 
A verdadeira Lei de justiça nos impõe como dever primordial “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”, e se alguém segue esses fundamentos, em observação ao resumo de todas as leis e de todos os profetas sintetizadas por Jesus, não pode em nenhuma hipótese sob nenhum pretexto, deixar de observar o respeito ao direito do semelhante que começa onde o nosso termina.
 
A verdadeira caridade é aquele que observa o cuidado em não prejudicar o nosso semelhante, em fazer por ele o que gostaríamos que em nosso lugar ele fizesse por nós, em desejar para ele o que desejamos para nós, em ser para ele sob todos os aspectos, o irmão em caminhada evolutiva, estendendo-lhe nossas mãos fraternas e operosas no objetivo único de ajudar no progresso de seu aperfeiçoamento individual a caminho da felicidade e da perfeição, que tanto almejamos para nossa própria vida.
 
Sobe o assunto ouçamos as instruções que nos transmitiram os Espíritos Superiores, para que definitivamente entendamos o verdadeiro sentido da caridade e o quanto ela nos é proveitosa e nos credencia a vôos mais altos na construção de um caminho muito mais seguro na conquista dos valores morais imprescindíveis à nossa caminhada de aperfeiçoamento evolutivo.    
 
Caridade e amor do próximo
 
“886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”
O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça. pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.
A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque da indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa.
 
887. Jesus também disse: Amai mesmo os vossos inimigos. Ora, o amor aos inimigos não será contrário às nossas tendências naturais e a inimizade não provirá de uma falta de simpatia entre os Espíritos?
“Certo ninguém pode votar aos seus inimigos um amor terno e apaixonado. Não foi isso o que Jesus entendeu de dizer. Amar os inimigos é perdoar-lhes e lhes retribuir o mal com o bem. O que assim procede se torna superior aos seus inimigos, ao passo que abaixo deles se coloca , se procura tomar vingança.”¹
 
Finalizando estas observações que fazemos sobre a Lei de justiça, não podemos deixar de enfatizar que só a través da compreensão do verdadeiro sentido de justiça contido nas Leis Divinas, proporcionado pelo estudo sério e constante da Doutrina Espírita, é que nos credenciaremos a praticá-la de maneira a nos beneficiarmos de seus efeitos benéficos, propiciando-nos bem-estar e prazer, elevando-nos moral e espiritualmente, como verdadeiros discípulos de Jesus de Nazaré, em direção ao futuro promissor que nos aguarda como filhos da Luz que todos somos.
 
Fonte:
1) O Livro dos Espíritos – FEB, 76ª Edição.
 
Francisco Rebouças.
 
 
criado por espiritistaterra    11:44 — Arquivado em: Artigo

18.5.09

A vida futura

Diminui, dia a dia, o número das pessoas, muito acirradas aos princípios religiosas que professavam desde pequeninas, onde aprenderam com seus pais e avós suas primeiras noções de religião, que lhes ensinavam que o indivíduo “morria” e, dessa forma, mais nada existia dele em termos de vida, como se fosse ele um simples objeto qualquer, sem nenhuma outra finalidade.

Isto porque, o indivíduo busca incessantemente explicações lógicas para o fato de sermos criados sem um objetivo plausível para nossas vidas, e, pode verificar que não morrem somente os mais velhos, os que já viveram algum tempo, mas sim, velhos e novos. Dessa forma, chega cada vez mais facilmente à conclusão de que algo muito acima de nossas antigas concepções está por trás de tantos acontecimentos que se sucedem diariamente.

Analisando com mais atenção e profundidade, pode facilmente observar, fatos que pareciam não terem nenhuma explicação, como por exemplo o grande número de seres que morrem em tenra idade, aparentemente sem nenhuma finalidade, o que vem de encontro a tudo o que se ouve falar desde criancinha, de que Deus é todo poderoso, infinitamente bom e justo.
 
Ora, em sendo assim, alguns questionamentos logo saltam aos nossos sentidos: Onde encontrar bondade e justiça de um Pai soberanamente bom e justo, que permite mortes tão cruéis de crianças que só encontraram violência e desamor na curta passagem que tiveram pela vida física, sem que sequer tenham contribuído para tamanha desgraça? Como ver bondade e justiça num Pai,que permite ser um filho seu morto no útero de sua própria mãe, pelo aborto covarde?
 
Essas indagações, que nos embaraçaram em outras oportunidades encontram explicações lógicas, na sabedoria da mensagem trazida pelos prepostos de Jesus com o advento do Consolador prometido, hoje, sabemos que é infalível a sua justiça, e que o que plantamos ontem, hoje colhemos de forma nem sempre tão calma e confortável.
 
Foi Jesus quem primeiramente nos afirmou que “a cada um seria dado segundo as suas próprias obras”, deixando ao nosso inteiro critério fazer o bem ou o mal, pois, para isso, a Paternidade Divina nos equipou de inteligência, dando-nos ainda a consciência equipada com as bênçãos de suas Leis Sábias e Justas.
 
Preciso se faz, entendamos o quanto antes, que não somos simplesmente vítimas da vida, esquecidos por Deus e entregues à própria sorte, somos sim, seus filhos muito amados e temos todo o seu apoio e as ferramentas de que necessitamos para preparar uma vida de felicidades e alegrias num futuro que começa desde já, pelas construções que empreendemos.
 
Os Celestes Emissários do Mestre de Nazaré, responderam ao questionamento de Allan Kardec, sobre o cuidado de Deus para com todos os seus filhos obtendo o esclarecimento que segue:
 
963. Com cada homem, pessoalmente Deus se ocupa? Não é Ele muito grande e nós muito pequeninos para que cada indivíduo em particular tenha, a Seus olhos, alguma importância?
 
“Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para Sua bondade, é destituído de valor.”
 
Que Jesus nos envolva e nos inspire para uma melhor plantação no hoje presente, para uma proveitosa colheita no porvir.
 
 
Fonte:
 
O Livro dos Espíritos – FEB, 81ª edição.
 
Espiritista Terra
criado por espiritistaterra    11:23 — Arquivado em: Artigo

4.5.09

Análise de obras espíritas

Caros amigos, o conhecido trabalhador e estudioso da doutrina espírita Jose Passini, analisa à luz do Consolador Prometido mais essa obra, mostrando-nos graves equívocos e sérias confusões contidas na mesma. A referida obra pode até ser mediúnica mas, espírita jamais. Dessa forma, alertamos para que estudemos a doutrina que dizemos professar, para não comprarmos obras como esta, sem qualquer fundamento doutrinário.

 

Legião
 Análise da obra “Legião – Um olhar sobre o Reino das Sombras”, psicografia de Robson Pinheiro. 

Começamos a análise dessa obra, estranhamente, pelo posfácio, onde se lê que Francisco Cândido Xavier teria sido veículo de uma mensagem do Alto, recomendando ao médium que fundasse uma editora para a divulgação do seu trabalho mediúnico. Outra afirmativa inusitada é que Robson Pinheiro, o médium, médium teria sido salvo de desencarnação iminente, a fim de produzir livros, cuja publicação seria o sustentáculo da editora e de seus funcionários – conforme palavras do Editor –, o que constitui, sem dúvida, algo inusitado na prática espírita, que, a julgar pela prática corrente até agora, seria colocar-se o carro adiante dos bois.

“… A Editora – fundada por ele sob orientação dos imortais, dada primeiramente através da pena de Francisco Cândido Xavier – fora inaugurada, sobretudo, para a publicação dos livros recebidos através de sua própria psicografia. Caso fosse desencarnar em breve, como fariam os companheiros – 11 funcionários além de mim, editor – frente ao áspero desafio de manter uma casa publicadora em operação com somente pouco mais de 20 títulos em catálogo? Será que os espíritos trairiam, pela primeira vez, sua confiança, pensou ele, entregandolhe nas mãos tamanha fonte geradora de angústia ou, no mínimo, de inquietação, ao cruzar o outro lado da vida?” (471/472)

Pelas palavras do próprio Editor, vê-se que o objetivo maior não era a divulgação da Doutrina Espírita, mas a manutenção de uma editora.

Esse livro parece ter a finalidade de atemorizar pessoas que, conhecendo pouco ou nada da obra de Kardec, de Chico, Yvonne, Divaldo, José Raul, aceitam determinadas “revelações”.

Na obra “Libertação”, André Luiz, em 60 páginas, descreve como agem Espíritos voltados ao mal, como se organizam numa região trevosa, sem se deter em explicações minuciosas do poder do Mal, através de descrições atemorizantes, capazes de provocar a criação de quadros mentais negativos nos leitores. A obra “Legião” tem mais de 450 páginas de descrições mórbidas e até novelescas.

Na obra “Libertação”, o benfeitor Gúbio dosa prudentemente as revelações, entremeando-as com ensinamentos positivos.

Nessa obra que ora analisamos, há um distanciamento do Evangelho. Há uma clara intenção de introduzir, no meio espírita, figuras como Pai João de Aruanda, João Cobú (sic), buscando familiarizar os espíritas com práticas e terminologia claramente umbandistas.

Na obra de André Luiz e de outros benfeitores que continuaram o trabalho de revelação do Mundo Espiritual e suas atividades na Crosta, não se valem os benfeitores de nomes exóticos, estranhos, comuns na Umbanda, como Pai João de Aruanda, exu, quimbanda, bombonjira, pombajira, canguá, Caboclo Pena Branca, tatá, mandinga, aumbandã, quiumbas, canzuá, cavernícolas, caveiras, fura-terras, ondinas, salamandras…

Sabemos que existem inúmeros Espíritos desencarnados que, embora busquem o Bem, o fazem por métodos próprios e de forma independente, e se filiam a linhas de trabalho em que são vivenciadas práticas umbandistas, ocultistas, orientalistas e outras mais.

Sabe-se que existem inúmeras comunidades espirituais que, embora procurem fazer o Bem, não se acham ligadas ao trabalho organizado sob a égide de Jesus, onde são observados princípios de obediência, disciplina e estrita observância dos valores éticos contidos no Evangelho, em ações praticadas na mais perfeita consonância com a Doutrina que nos foi revelada através de Kardec.

No livro “A Caminho da Luz” (cap. 12), Emmanuel faz interessante revelação a respeito da diversidade de correntes de pensamento existentes no Mundo Espiritual: “As próprias esferas mais próximas à Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.”


Qualquer pessoa que tenha estudado – e não apenas lido – a obra de André Luiz tem uma visão clara do Mundo Espiritual, sem os prejuízos decorrentes da exploração de quadros negativos e da introdução de nomenclatura estranha e de práticas mágicas.

Observemos as seguintes particularidades na apresentação de um Espírito que se intitula orientador:

“– Olhe, Ângelo, meu filho, trabalhar como pai-velho não é algo tão simples assim. Não basta ter acumulado experiências como escravo ou conhecer algumas mandingas e depois manifestar-se por aí, fazendo benzeções. Nosso trabalho é bem mais amplo, e nossa preparação, mais complexa. A fim de desempenhar bem as funções que abraçamos, temos de nos especializar em diversas áreas do conhecimento oculto. Há que saber os detalhes da geografia astralina. (112)
 
Em “Obreiros da Vida Eterna” (231/232), fica-se sabendo que Benfeitores espirituais dissipam, antes do enterro, as energias remanescentes nos cadáveres de pessoas que respeitaram seus corpos, a fim de preservá-los da profanação, levada a efeito por Espíritos vampiros.
 

 


Será que esses “corpos etéricos” conservam energias? E se estavam em dissolução, por que seriam necessários guardas para protegê-los? Quantos guardiões seriam necessários para ficarem velando pelos cadáveres em decomposição, até que o processo chegasse ao fim? André Luiz, na obra citada, diz que Dimas, o recém-desencarnado, estava ao lado do Benfeitor, enquanto este dissipava as energias do cadáver. Pai João diz que ficavam tomando conta do “corpo etérico” para que não fosse roubada sua energia… Que corpo seria esse? Onde fundamentar em Kardec afirmativa como essa?
“– O dirigente, despreparado, não conhecendo o simbolismo utilizado no astral, conclui que exu caveira é a representação do mal. Através de uma indução hipnótica e uma associação infeliz de idéias, alguns médiuns, a partir de então, deixam sua parte anímica falar mais alto e relatam coisas inacreditáveis a respeito dos guardiões. O espírito que deveria ser resgatado é liberado, como se fosse um sofredor, e o guardião ou exu é doutrinado, conforme dita o figurino adotado em larga escala nos centros espíritas. Terminada a reunião, o obsessor foi libertado, como se fosse um espírito necessitado, livre para voltar às suas atividades, e o guardião, que é o parceiro das atividades do bem, é confundido com espíritos maus.” (129)

Vê-se uma clara acusação de que as reuniões mediúnicas espíritas não se encontrariam preparadas para receberem os exus. Então, o espírito teria sido trazido preso, pelo exu, e os espíritas o libertam, retendo o exu para que ele receba doutrinação. É de se perguntar: que poder teria esse exu, que não pode libertar-se do poder de um médium? E o que quer dizer: “o espírito que deveria ser resgatado é liberado, como se fosse um sofredor.” Acusa os centros espíritas de libertar perseguidores e reter “guias”. E o que quer dizer com “espírito que deveria ser resgatado” ? Resgatado por quem?
 
– “Espiritismo? – o chefe dos caveiras deu uma estrondosa gargalhada. – Desculpe o jeito de me expressar, mas é que sinto pena de você. Os espíritas parecem ter criado um movimento tão cheio de preconceitos que dificilmente se interessam por algo a nosso respeito sem nos tachar de obsessores e acusar o médium de anti-doutrinário, como é seu costume.” (133)

 

“– Ao contrário do que muitos médiuns expressam, em seu animismo confundido com mediunismo, esses espíritos não se comportam do modo como são retratados pela incompreensão. Para nosso despontamento, muitos sensitivos, que desonram o verdadeiro trabalho dessas guardiãs, representam-nas, no momento da incorporação, utilizando palavrões, atitudes grotescas e maldosas, desprezando a oportunidade ímpar de concorrer para o equilíbrio do sentimento e das emoções, técnicas que elas dominam como ninguém no astral inferior.” (141)

Essa uma acusação leviana e infeliz, em que o autor tenta imputar aos médiuns espíritas, o uso de palavrões e atitudes maldosas, quando se incorporam as assim chamadas pombajiras ou bombojiras. No Mundo Espiritual revelado nas obras espíritas não há essa discriminação, inclusive na nomenclatura, entre trabalhadores do sexo masculino e feminino. Essa é uma prática umbandista, que o autor tenta imputar ao Espiritismo.

 

“Assim, se o feiticeiro do astral tiver um poder mental hipnossugestivo mais intenso, ele poderá inclusive manipular certos vírus e baterias cultivados em pântanos e charcos do umbral, que ordinariamente só se encontram em regiões inferiores, com vistas a transferi-los para o corpo físico de seus alvos. Usam os cavernícolas como transmissores ou vetores desses microorganismos etéricos, muitos dos quais completamente desconhecidos do homem. Em virtude do contato intenso e constante que promovem com o campo energético do enfeitiçado, dáse a transferência, o salto para o campo material. Sejam vírus, bactérias ou comunidades microbianas próprias do mundo astralino inferior, o fato é que se materializam ante a interferência da baixa feitiçaria, causando enfermidades variadas e dificilmente diagnosticada pela medicina terrena. (155)

Mais um trecho em que pretende criar quadros negativos na mente do leitor. Acaso vírus e bactérias seriam responsáveis por atitudes negativas de parte daqueles contaminados? Se assim fosse, deveria também existir vacinas contra esses “vírus e bactérias”. Até agora, sabemos que a vacina contra o mal é a prática das virtudes ensinadas por Jesus.

 
É sempre a ênfase ao mal. Além do mais, o que significa “baixa feitiçaria”? Haverá uma “alta”?

 

 

“– Enquanto isso, o preto-velho agregava elementos e agentes da natureza, evocando as salamandras e ondinas – elementais respectivamente ligados ao fogo e à água –, que, no momento devido, serviriam aos propósitos do trabalho.” (163)

Também aí, uso de palavras próprias de ambiente de magia, de ocultismo, sem um objetivo prático, edificante. Só novidade para os desconhecedores do Espiritismo, ou os amantes de ficção.

“A regra difundida nos meios espíritas é que o duplo etérico tem uma vida intimamente associada à existência do corpo físico. Quando o corpo morre, o duplo sobrevive por um período máximo de 40 dias, momento em que se decompõe e tem suas energias dispersas na atmosfera. De outra maneira seria fatalmente vampirizado por entidades sombrias. (243)

É de se perguntar, em que livro está registrada essa regra? São afirmações falsas e tão grosseiras, que quase não merecem comentários, mas, pergunta-se: se o “corpo etérico” vai se decompor, por que preocupar-se com ele? Além do mais, quando o autor diz que “seria fatalmente vampirizado”, está fazendo referência a alguém que tem vida própria, que vive… Na obra “Nos Domínios da Mediunidade”, de André Luiz, no cap. Durante o desdobramento do médium, este se afasta do corpo carregando uma porção de energia: “certas faixas de força, que imprimiam manifesta irregularidade ao perispírito”, que Clarêncio fez retornasse ao corpo físico do médium. É muito diferente desse “corpo etérico” relatado em “Legião”, que parece ter vida própria, e que poderia ser vampirizado.

“Após algum tempo preparando a ação de libertação, os guardiões da noite concentraram suas energias num ponto do campo de força. Vimos como o campo energético primeiramente inchou, como uma bolha, sob o influxo das emissões superiores, para depois arrebentar, em um estrondo avassalador. As energias liberadas só foram contidas devido à competência dos guardiões e especialistas sob o comando de Jamar.” (245/246)

A passagem acima refere-se à destruição de um campo de força que teria sido preparado por cientistas desencarnados, voltados ao mal. Esse campo reteria as energias dos “duplos etéricos”, que deveriam ser libertados. Depois, fala que “deveriam proteger os duplos da atmosfera fluídica do ambiente, à qual estariam mais expostos, temendo que poderiam contaminar os corpos vitais ali acondicionados (sic) e envenenar-lhes as reservas energéticas, provocando efeito direto sobre os corpos físicos a que estavam associados.” (245)

Vê-se acima que o autor pretende novamente dizer que os corpos etéricos estavam separados dos corpos vitais e esses separados dos corpos físicos. Então seriam Espíritos encarnados, libertos pelo sono de algumas horas? Na obra de André Luiz, não há notícia dessa separação: corpo energético num lado e corpo vital noutro. Em todos os casos de desdobramento, sempre há referências a corpo espiritual, ou perispírito. Nessa obra, vê-se claramente o intuito de confundir e de atemorizar, a fim de eles, sim, dominarem os incautos.

“Aos poucos, os senhores das sombras pretendem substituir a memória e o conhecimento do Cordeiro e de seus ensinamentos por deturpações e pseudoconhecimentos, cuja implantação se dará no cérebro espiritual dos corpos astrais de suas vítimas. Objetivam confundir e, no limite, extinguir a imagem de Jesus de Nazaré, o personagem histórico, que se perderia em meio a tantas falácias, uma atrás da outra.

A teoria a respeito da modificação da memória e do implante de novos conceitos e dados na mente do indivíduo também já existe, mas fica na dependência do modo como se consolidaria esse tipo de ação criminosa, em virtude do evidente dilema ético.” (266/267)

O que quer dizer com “evidente dilema ético” ?

“Tudo isso configura uma nova metodologia de ação desses seres da escuridão, uma forma mais sofisticada de obsessão, que desafia os modernos discípulos do Cordeiro a se atualizarem também. As trevas há muito vêm atuando com novas disposições e táticas para efetivar seus projetos entre humanos encarnados; e quanto aos defensores do bem? (266/267)

– Pelo menos existe alguma coisa por essas bandas! – tornou a falar Raul. – Esse animal estranho me lembra um imenso dragão negro…

Ambos fitaram o ser, que lhes dirigia o olhar ao virar a cabeça, mostrando o bico curvo, desconfiado. O animal do plano astral possuía uma envergadura de cerca de 8 metros. Pescoço longo e pelado, possuía pele negra e enrrugada, que fazia o papel das penas que lhe faltavam, com barbatanas de grandes proporções. Tudo indicava que o ser bizarro fora deixado para trás numa fuga apressada. Estava desvitalizado.

– Esses seres são utilizados pelos sombras como meio de transporte. Talvez devamos auxiliar essa criatura das profundezas a se restabelecer – falou Jamar.
 
Dizendo isso, ele concentrou toda a sua atenção na libertação do esdrúxulo habitante das profundezas sombrias do astral. Raul o acompanhou, “Dando uma mãozinha”, como me contaria mais tarde. A ave pré-histórica, então livrada do charco umbralino, ensaiou um bater de asas e depois rompeu as nuvens densas,como se fosse a coisa mais fácil do mundo, pairando a razoável altitude.
 
– Esses animais pré-históricos – informou Jamar – desempenham o papel de veículos para que os sombras realizem seu patrulhamento aéreo. Possivelmente tenha sido abatido durante um eventual combate.

Sua figura lembra fósseis dos primórdios da evolução terrena. É muito rudimentar e grosseira, como se tivesse vindo direto de uma expedição arqueológica. Hás quanto tempo estão por aí?

– Não sei precisar, Raul, mas o interessante é o modo como se mantêm vivos. São criações mentais dos magos, que, por meio de sua força psíquica, sustentam tais imagens: esse o segredo de perdurarem por séculos e milênios nos recônditos do astral. Como os senhores do mal não têm a capacidade de elaborarem formas superiores, e ainda têm nesses animais a associação com o seu passado longínquo, contemplamos aqui o fruto vivo de seu pensamento consistente e persistente. (284/286)

São criações mentais ou os chamados elementais artificiais, que sobreviveram ao evento dos magos. Buscam manter-se vivos alimentando-se da matéria astral e da fuligem mental encontradas nesta estância sinistra.

Pequenas formas mentais correspondentes a lagartos iam e vinham, correndo sem sentido, junto ao que restara das construções. (288)


Esses magos teriam o poder de criar seres que teriam vida própria, que, como vimos, necessitariam até de socorro para que se restabelecessem e, conforme dito, para serem: “utilizados pelos sombras como meio de transporte” ? Seria uma criação paralela à de Deus?

Em verdade, existem formas-pensamento que até podem ser vistas, conforme relatado na obra “Nos Domínios da Mediunidade”, de André Luiz (cap. 19). Ali há dois exemplos de “formas-pensamento”, que são apenas projeções mentais, e não criaturas dotadas de vida própria, que poderiam ser usadas por malfeitores espirituais.

Finalmente, seria necessário escrever-se uma outra obra para serem comentados todos os pontos negativos deste livro. Há citações de Kardec, sempre adaptadas às “revelações” que o autor, ou autores espirituais pretendem fazer. Não há nessa obra uma página que possa ser qualificada como espírita. Veja-se, como exemplo final, o texto abaixo:


Como se vê, fica declarado que a “consagrada técnica de conversação fraterna ou doutrinação” já foi superada, mas não há indicação alguma sobre o que a substituiria.

Diga-se, de passagem, que não se vê, na obra, nenhuma trecho em que o amor é colocado como terapêutica, conforme se vê nos livros do Chico e demais médiuns citados. Só há citações negativas, atemorizadoras, como essas: “… a existência de seres artificiais gerados em laboratórios do submundo astral. Juntamente com aparelhos parasitas, implantes de chips, projeção de campos de força magnéticos e de ação contínua, tais elementos acabam provocando desarmonia nas células físicas dos encarnados, até mesmo causando processos cancerosos.”

Subestimando o conhecimento e a argúcia do leitor, e partindo para a ficção, o autor declara: “Há décadas que, em determinadas reuniões mediúnicas, alguns dos integrantes suspeitaram ou detectaram a presença de seres diferentes, sem emoções, completamente destituídos de sentimentos. Contudo, não podiam expressar suas percepções sem que fossem confundidas com imaginação fértil e fantasiosa, ou tê-las enquadradas como efeito de puro animismo. Transcorrido o tempo, esses seres artificiais foram sendo percebidos com maior frequência, e, na atualidade, não se pode desprezar tais criaturas, fruto da tecnologia astral colocada a serviço da obsessão. (365)

Trata-se, como se vê, uma confusão grosseira com a clonagem física, como se vê declarado mais explicitamente no trecho a seguir: “Essa conclusão suscita algumas questões palpitantes, que merecem ser debatidas e estudadas por todos. Em que caso são usados os clones? Como é seu mecanismo de ação e com quais finalidades entram em cena?” (365)  

“Durante muito tempo espiritualistas e espíritas viram-se diante da realidade patente da obsessão, porém considerando apenas os tipos clássicos: mono e poliobsessões, cujos agentes são, respectivamente, um único espírito e dois ou mais deles. No entanto, ao enveredar nas investigações psíquicas, os encarnados mais estudiosos notaram que outra metodologia vinha sendo empregada pelas sombras. Surgiram as primeiras observações quanto às obsessões complexas, que exigiam nova abordagem, além da consagrada técnica de conversação fraterna ou doutrinação. Entre as diversas ferramentas verificadas para instaurar o quadro obsessivo, descobriu-se, então, embora a relutância em admitir o fato, a existência de seres artificiais gerados em laboratórios do submundo astral. Juntamente com aparelhos parasitas, implantes de chips, projeção de campos de força magnéticos e de ação contínua, tais elementos acabam provocando desarmonia nas células físicas dos encarnados, até mesmo causando processos cancerosos. Sobretudo, são processos obsessivos que fogem à definição clássica.” (361/362)

Na obra em exame, lê-se o seguinte: “Não dêem atenção a esses seres. São vampiros, que buscam vencer a resistência dos guardiões para roubar a energia sobrevivente (sic) dos corpos etéricos em dissolução.” (117)
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16.4.09

ENTREVISTA

O ESPIRITISTA TERRA, APRESENTA A ENTREVISTA CONCEDIDA COM EXCLUSIVIDADE POR GORETE NEWTON, DEDICADA TRABALHADORA DA SEARA ESPÍRITA NA SUIÇA.

 Entrevista:
 
FR : Prezada Gorete Newton, como aconteceu o seu encontro com a doutrina espírita?
 
R: Foi no ano de 1985, na cidade de Salvador, Bahia, Brasil. Eu passava por profundos transtornos psicológicos que me levaram a obsessão avassaladora. Uma longa história…
Certo dia minha mãe me levou (na marra) para um centro espíritta, o Caminho da redenção, onde conheci Divaldo Pereira Franco, e em menos de 24 horas fiquei curada.
 
FR: Qual a casa espírita que você freqüenta hoje?
 
R: Hoje sou presidente e fundadora do CEEAK – Centro de estudos espíritas Allan Kardec em Winterthur, Kantão de Zurique, na Suíça.
 
FR: Como e porque aconteceu sua ida para Suíça?
 
R: A empresa onde meu marido trabalha o transferiu do Brasil para o México e do México para a Suíça.
 
FR: Que funções você exerce na atualidade no movimento espírita?
 
R: Nos últimos 4 anos, até o dia 22 de março deste ano, presidi a UCESS – União de Centros de Estudos espíritas na Suíça. Sou atualmente presidente de 3 associações, O CEEAK – Centros de Estudos espíritas Allan Kardec, a EDICEI Suisse que é a primeira Secção editorial internacional do CEI, conselho espírita internacional. A EDICEI Suisse foi fundada pelo CEI para beneficiar os Centros espíritas através da edição de obras em lingua alemã assim como distribuir os livros que são editados pela FEB e EDICEI, e também sou presidente do LICHTVERLAG (Editora Luz) que é responsável em editar nossos livros.
 
FR: Como começou sua ligação com o CEEAK - Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec?
 
R: Desde 1992 quando cheguei em Winterthur comecei a freqüentar um grupo de estudos na casa de uma amiga em Zurique, a Senhora Suzana da Silva Maia, que era diplomata. Quando ela percebeu que iria ter que se transferir para outro país decidiu, muito sabiamente fundar um centro espírita para que o grupo não morresse quando ela fosse embora. Ela encontrou um pequeno porão, alugou com a ajuda de alguns de nós e oficialisou a AFFA, Associação filosófica espírita Francisco de Assis. Quando ela decidiu mudar-se para Trinidad Tobago me convidou para ser Diretora de assuntos filosóficos do centro ao que aceitei profundamente emocionada. Trabalhei na AFFA até 1998 quando fiquei grávida do meu terceiro filho. A AFFA já se encontrava consolidade e tínhamos já muitos trabalhadores de confiança e aptos a seguir com o trabalho, foi quando decidi fundar o CEEAK em Wnterthur, cidade onde sempre residi.
 
FR: Como está o movimento espírita na Suíça?
 
R: Somos 9 centros espíritas dois quais 8 se encontram congregados em nossa União, UCESS. O movimento é lento, mas sólido e bem estruturado.
 
FR: Em que outros países da Europa você vê o espiritismo em crescimento?
 
R: O trabalho espírita na Europa será crescente proporcionalmente às publicações que venham a ser feitas nas linguas de cada país. O movimento em Portugal é grande, pois, é enorme a gama de informações e literatura, assim como na Espanha. Depois vem a França e em seqüencia a Alemanha e a Suíça. Nos outros países ainda é um trabalho mais hercúleo ainda, exigindo corajosos e abnegados irmãos que não se deixem desestimular pelas dificulades. Mas mesmo com toda a dificuldade o movimento é crescente. E com o início das atividades do CEI tudo foi se solidificando pois, temos a oportunidade de nos encontrarmos e trocar experiências, uns incentivando os outros.
 
FR: Qual a maior dificuldade de praticar o espiritismo fora do Brasil?
 
R: Somos sementes espalhadas ao vento, Jesus nos sopra, e caimos em terras diferentes. Às vezes encontramos um canto fértil que nos possibilita brotar. Às vezes caímos sobre pedras e não desistimos, buscamos as brechas onde possamos removê-las, mas brotamos!
A maior barreira é a literatura nas linguas nativas, mas como é necessário adubar a terra Jesus envia Brasileiros que mesmo sem literatura para o povo de alguns países, não se deixam abater e estudam entre si, arando a terra que se tornará fertil um dia, e as sementes em muitos pontos serão plantadas pelos filhos que sairão destes trabalhos feitos entre nós mesmo. Não acho que haja dificuldade em praticar o espiritismo, há dificuldade em vencermos a nós mesmos.
 
FR: Existem muitas divergências em termos de interpretação da mensagem espírita, em sua opinião porque isso ocorre se os ensinamentos espíritas são tão claros?
 
R: Sobre as divergências elas ocorrem mais pelas falhas dos que disseminam a doutrina do que pela interpretação da doutrina como um todo. A doutrina espírita é muito clara nas obras básicas, mas nós já temos uma experiência de 150 anos que nos levou a criar novos critérios, principalmente em relação à parte prática, com o auxílio da literatura complementar enviada pelos espíritos. Aí o que interfere é o EGO de cada um, e a falta de ponderação. Somos sempre os mesmo… cada um ainda quer ser dono da verdade e se esquece de abrir mão de pontos de vista pessoais em prol de uma difusão equilibrada e harmônica.
Acho que se evitássemos polêmicas e discussões infrutíferas avançaríamos mais. Muitos que polemizam o tempo todo, gritando para cima e pra baixo deveriam calar-se, para o bem da obra.
FR: Existem muitos grupos de estudos da doutrina espírita na Suíça?
R: Já respondi acima. Somos 9 Grupos.
 
 
FR: O Suíço está aceitando bem os postulados de nossa doutrina, ou o movimento espírita na Suíça ainda é constituído quase que exclusivamente por brasileiros aí radicados?
 
R: A escola preparada para a difusão do espiritismo no mundo é o Brasil. Nós, ex-europeus, ex-americanos, ex-asiáticos etc… renascemos lá para darmos continuidade ao nosso compromisso com Jesus, de absorver na prática, como encarnados, através da convivência com um dos povos mais amorosos e tolerantes do mundo, os arroubos do desprendimento e da abnegação, que vivenciamos a cada dia em nossa encarnação. Lá que tivemos contato com a fé singela e inquebrantável em Deus, com a alegria que muitas vezes brilha nos rostos da miséria. Tudo isso, teríamos que levar em nossa mala existencial, para que a Doutrina espírita entre não só no raciocínio dos povos, mas também em seus corações sedentos de fé e amor.
 
FR: Quais foram as maiores conquistas de sua dedicação ao movimento espírita ?
 
R: Muitas me encheram o coração de alegrais que não se podem descrever. Mas a primeira foi ver um suíço, que não fala uma palavra de portugues, mas é casodo com uma brasileira, fazer sua primeira palestra em nosso centro, em alemão, ele é um doce de criatura, cientista, e foi o primeiro suíço de fala alemã a fazer uma palestra em nosso centro. Tínhamos até então a contribuição valoroza de nossa irmã Edith Burkhard, mas ela viveu e estudou no Brasil, é diferente, mas ele o Urs não, ele começou estudando com ela e realizou um sonho que eu acalentei por muitos anos. Depois veio mais! Nosso segundo encontro espírita na Suíça, foi aberto pela palestra de Oliver Sprenger, que nem mulher brasileira tem! Ele subiu no púlpito e começou a falar: Nós espíritas na Suíça… eu me debulhei e orei a Jesus em agradecimento pelo que ouvia.
Mas a mais linda foi ver uma de nossas filhas, que era uma criança quando chegamos e hoje está com 23 anos, a Luciana Camenisch, fazer sua primeira palestra com o tema o Suicídio na visão espírita, em alemão.
Tudo isso significa que a semente plantada, já começa a eclodir, e minha alma se alegra. Se amanhã eu faltar, irei em paz, pois cumpri o meu dever.
 
FR: Quais são os maiores desafios a conquistar?
 
R: Publicar livros na lingua alemã. É o maior de todos.
 
FR: O que você diria a quem lhe pedisse orientação de obras para iniciar no conhecimento do espiritismo?
 
R: Leiam as obras de Kardec, primeiro o livro dos espíritos, depois o evangelho e depois os outros. Leiam as obras de André Luiz e Emmanuel, e iluminem-se com Joanna de Angelis também, para que possam saber depois distinguir o que é espiritismo do que não é.
FR: O aborto continua sendo o assunto mais discutido no meio espírita no momento, de que maneira nós espíritas podemos contribuir para evitar esse crime?
 
R: Este é um grande problema da humanidade. Nós só temos uma saída, educar para amar. Tudo começa em casa. As leis humanas são falhas, mas a educação de nossos filhos é a maior contribuição que podemos dar para que estes crimes parem de acontecer. Muitos de nossos filhos serão apoio para seus amigos e amigas, e quem sabe salvarão vidas com poucas palavras. Instruamos na casa espírita a criança e o Jovem, pois somente eles poderão mudar o mundo através dos próprios atos.
 
FR: Porque nos dias de hoje, 2009 anos após Jesus nos trazer suas mensagens de amor e respeito ao próximo, o ser humano ainda não pratica seus ensinamentos?
 
R: Porque a Natureza não dá saltos e porque estamos falhando na educação de nossos filhos. Queremos que eles sejam exitosos alunos das escolas para terem um bom emprego, ou serem ricos para poder comprar tudo. Mas esquecemos de ensinar o amor a Deus, a necessidade de lutarmos contra o egoísmo e contra o orgulho. E o pior, muitos ensinamos com palavras mas desensinamos com os próprios atos. O exemplo é tudo!
 
FR: Quais seus projetos para o futuro?
 
R: Aprender a amar o meu próximo como a mim mesma. E tentar trazer mais livros em lingua alemã para a Europa.
 
FR: Amiga, quero agradecê-la de coração, pela maneira tão gentil com que você nos tem enviado as notícias do movimento espírita aí na Suíça e na Europa como um todo.
 
R Eu é quem agradeço de coração a oportunidade de responder à esta entrevista.
 
FR: Gorete Newton, estamos desde há muito, apoiando a campanha “Onde estão as crianças filhas de pais espíritas? Vamos evangelizar os "pequeninos"?Que visa o incentivo da evangelização infantil no Estado do Rio de Janeiro, e, temos recebido muitas informações do Brasil todo de que muitas casas espíritas que não tinham esse trabalho começaram a partir de nosso incentivo. Existe esse trabalho de evangelização da infância e juventude aí na Suíça?
 
R: Graças a uma alma dedicada, chamada Arlete Länzlinger, temos um belo trabalho sendo desenvolvido em nosso centro, mas outros centros também já tem evangelização, sobressaindo-se o ESTESIA de Berna que tem já há muitos anos um belo trabalho com os jóvens.
 
FR: Os amigos suíços, levam os filhos aos centros?
 
R: Sim, temos muitas crianças e jóvens.
 
FR: Gorete Newton, o que você gostaria de ter respondido e que não te perguntei?
 
R: Acho que não me perguntaria mais nada. Obrigada por tudo.
 
FR: Prezada amiga, estaremos sempre à disposição para colaborar na divulgação do que for necessário em prol do crescimento da doutrina espírita, fique à vontade para nos contatar sempre que desejar.
 
R: Ao que agradeço profundamente e me coloco à disposição para o que esteja a meu alcance.
 
FR: Para encerrar, gostaria que você deixasse registrada sua mensagem a toda família espírita brasileira, através do nosso Blog espírita.
 
R: Sejamos pais, sejamos mães. Paremos para olhar o que nossos filhos nos querem dizer. Olhemos nossos filhos nos olhos quando eles falam conosco. Prestemos atenção para sermos verdadeiros amigos de nossos filhos. Educar exige observação, dedicação e abnegação, mas também energia e coragem para as horas em que tenhamos que colocar limites. Sejamos firmes, mas nunca cruéis. Sejamos amor mas nunca permissivos por comodidade. Eduquemos nossos filhos para que se tornem homens de bem, como prega o evangelho segundo o espiritismo, e não pessoas que tenham que a todo custo serem melhores que as outras. Eduquemos nossos filhos para serem honestos e se envergonhar dos que roubam e prejudicam a sociedade, mas nunca os eduquemos para que desprezem ou se vinguem. Eduquemos nossos filhos para serem amigos de todos sem distinção, para que não venhamos a ser surpreendidos pelos crimes cometidos por jovens que estamos presenciando todos os dias. O desprezo gera o criminoso.
Tudo isso depende de como nós, pais, mesmos somos.
Sejamos exemplos de homens de bem, pois nossos filhos o serão também.
 
FR: Agradecemos a Gorete Newton, pela gentileza em atender á nossa solicitação para esta entrevista, e rogamos ao Mestre de Nazaré que a guarde em sua paz, hoje e sempre.
 
Muito obrigada pela oportunidade desta troca. Que Jesus nos cuide a todos.
Saudações fraternais desde Nova Iorque onde me encontro respondendo esta entrevista.
Abraço a todos os irmãos de ideal espírita rogando para que nos incluam em suas preces.
Carinhosamente,
Gorete Newton
 
Francisco Rebouças.
criado por espiritistaterra    23:48 — Arquivado em: Artigo

15.4.09

A Doença do Consumo

A Revista Época, trouxe em uma de suas edições passadas uma matéria da escritora Americana de 60 anos, Vicki Robin, graduada pela Universidade Brown, autora do livro “Seu Dinheiro ou Sua Vida”, já traduzido para dez idiomas, em que ela analisa o problema do consumismo desenfreado que desequilibra a vida de muitas das suas vítimas, pelo descontrole que toma conta do indivíduo.

Uma das fundadoras do movimento Simplicidade Voluntária, a escritora americana prega a abstinência do luxo, o respeito ao meio ambiente e considera que o grande mal do planeta é o consumismo, alerta todos os que ouvem suas palestras, a não buscarem a felicidade nos shoppings, e pensar duas vezes para abrir a carteira e fazer os cálculos muito bem feitos, antes de comprar qualquer coisa, procurando verificar quantas horas de trabalho precisará para ganhar o dinheiro que se pretende gastar.

Inquirida sobre o porquê de se consumir tanto nos dias de hoje; respondeu: “Porque a cultura do consumismo vende a vergonha. Se a propaganda puder envergonhar alguém, terá um consumidor em potencial. As pessoas se envergonham de não ter algo. E correm às compras para cobrir essa vergonha imediatamente. Dessa forma, nossa cultura vende vergonha e sentimento de inferioridade. E ninguém quer ser inferior aos outros”.
Logo a seguir, explica como isso acontece: “As propagandas passam a idéia de que você é infeliz, gorda e feia. Ao comprar determinado produto, porém, poderá ser feliz, jovem, magra. E com namorado. Sutilmente, dizem que podem melhorar sua vida. Além disso, a cultura do consumo corta a ligação com a família. Quem tem amigos não consome tanto. Quando se tem família, tudo acontece ao redor dela. Longe de ambos, é preciso pagar por tudo. O consumismo cresce quando essas ligações são rompidas. O consumismo nos ensina que o mundo é morto, sem vida. Ele faz você se sentir sozinho. Por isso, tento re-conectar as pessoas entre si e com seu mundo interior”.
Quando, perguntada sobre se as pessoas são mais felizes por comprarem mais, ela assim se expressa: - “É o que chamamos de curva da felicidade. Quando você compra o que é necessário para sobreviver, há muita alegria em relação ao valor gasto. Quando é por conforto, a alegria é menor. Depois de certo ponto, comprar não dá mais felicidade. Tudo será lixo - coisas que você compra, mas que não lhe dão nada. Pode ser até mesmo uma casa”.
Em seguida, a escritora americana, responde de forma bem simples, a pergunta formulada pela citada revista, se é possível levar uma vida simples nas grandes cidades? Dizendo: “É uma vida com intenções, na qual a pessoa pensa em seus valores e no que é importante. É uma maneira de refletir sobre o que está acontecendo. Quem sonha muito não está refletindo. Se refletimos, podemos nos distanciar dos assuntos e ponderar melhor. Depois, voltamos ao curso normal da vida com mais consciência. Muitas vezes, numa sociedade consumista, as pessoas se dão conta de que têm muito, consomem muito, fazem tudo muito rápido e não têm horas suficientes para fazer o que realmente querem. É a doença do muito. O consumismo nos distrai e enche todas as horas do dia. Quando estamos cansados, não temos tempo sequer para pensar no que realmente queremos. Vida simples é viver com o suficiente, o essencial”.
Fala-nos ainda que as crianças de hoje começam a consumir muito cedo; enfocando que: - “A indústria de propaganda mira conscientemente as crianças. Sabe que, se as ensinam cedo a tomar Coca-Cola em vez de Pepsi, a vida inteira consumirão Coca-Cola sem se dar conta. As agências de propaganda sabem detalhes como o tom de vermelho de que uma criança de 2 anos gosta. As crianças ficam muito tempo em frente à televisão. Nos primeiros cinco anos, aprendem a realidade por meio da TV. Por isso é muito difícil uma pessoa, ao chegar aos 40, se dar conta de que algo que ela entende desde a infância como verdade não é verdade. A Coca-Cola vai ser melhor que a Pepsi para sempre”.
Alerta, a escritora americana, para o fato de as pessoas contaminadas pela peste do consumismo, nunca se darem conta disso, porque, – “O ser humano só descobre o que quer ao ver o que o outro tem. Nessa cultura da propaganda, vemos muita gente com muito mais que nós. O estilo de vida dos ricos está nas revistas. Disso surgem os desejos. Se você não pode ter algo, fica deprimido. Compra para não se sentir pior que o outro. É o que acontece com os negros americanos, que compram para ser como os brancos. Nos Estados Unidos, somos tão racistas que os negros se endividam para comprar as mesmas coisas que os brancos. Com isso, criam dívidas enormes”.
Em vista do exposto, é preciso se ter muita cautela em relação às nossas reais necessidades de consumo, para não sermos também vítimas desse mal que cresce de forma surpreendente a desgraçar a vida de inúmeras famílias de todas as classes sociais, com efeito maior e bem mais devastador naquelas de menor poder aquisitivo.
Por essa razão, cada vez mais nos certificamos do valor da mensagem espírita, que nos esclarece para os cuidados que precisamos tomar contra esse perigoso mal que infelicita a tantas criaturas em todo o mundo, justamente pela falta de observação para suas reais necessidades da vida, aumentando nosso entendimento e compreensão de que, não precisamos da grande maioria dos bens supérfluos que nos matamos para conseguir…
No livro Episódios Diários, a benfeitora Joanna de Ângelis, nos assevera:
O Consumismo atual responde por muitos problemas. As indústrias do supérfluo apresentam no mercado um sem-número de produtos desnecessários, que aturdem os indivíduos. Estimulados pela propaganda bem elaborada, desejam comprar, mesmo sem poder o que vêem, o que lhes é apresentado, numa volúpia crescente”.
Mais à frente esclarece: (…) consumismo é fantasia, transferência do necessário para o secundário. O consumidor que não reflete antes de adquirir, termina consumido pelas dívidas que o atormentam. Muita gente faz compras, por mecanismos de evasão.
(…) Insatisfeitas consigo mesmas, fogem adquirindo coisas mortas, e mais se perturbando. Confere a necessidade legítima, antes de te permitires o consumismo” .
Os Imortais da Vida Maior responderam a Allan Kardec, seus questionamentos sobre o assunto conforme segue:
Necessário e supérfluo
715. Como pode o homem conhecer o limite do necessário?

“Aquele que é ponderado o conhece por intuição. Muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa.”

716. Mediante a organização que nos deu, não traçou a Natureza o limite das nossas necessidades?

“Sem dúvida, mas o homem é insaciável. Por meio da organização que lhe deu, a Natureza lhe traçou o limite das necessidades; porém, os vícios lhe alteraram a constituição e lhe criaram necessidades que não são reais.”

717. Que se há de pensar dos que açambarcam os bens da Terra para se proporcionarem o supérfluo, com prejuízo daqueles a quem falta o necessário?

“Olvidam a lei de Deus e terão que responder pela privações que houverem causado aos outros.”
Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A Civilização criou necessidades que o selvagem desconhece e os Espíritos que ditaram os preceitos acima não pretendem que o homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A Civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio. Os que vivem à custa das privações dos outros exploram, em seu proveito, os benefícios da Civilização. Desta têm apenas o verniz, como muitos há que da religião só têm a máscara.

Resta-nos, seguir os ensinamentos contidos na filosofia espírita, para entendermos que as coisas de fora não equacionarão nossos estados íntimos qualquer que seja nossa dificuldade, dão-nos a falsa impressão de que resolveremos nossas aflições, para em seguida nos mostrarem que são na verdade incapazes de nos dar a paz que buscamos de forma equivocada, e que só encontraremos com a disposição de fazer a nossa real modificação interior, na busca e no desenvolvimento dos valores morais espirituais que jazem latentes no imo do nosso ser, a espera da nossa disposição de utilizá-los.

Fontes:
 

 
Livro Episódios diários - Divaldo Pereira Franco - Joanna de Ângelis– Livraria Espírita “Alvorada” 1ª Edição- 25 Capítulo.

Livro dos Espíritos – Allan Kardec – FEB. 76ª Edição

Revista Época.

 
 
Francisco Rebouças.

criado por espiritistaterra    22:17 — Arquivado em: Artigo

14.4.09

A Doença do consumo

 A Revista Época, trouxe em uma de suas edições passadas uma matéria da escritora Americana de 60 anos, Vicki Robin, graduada pela Universidade Brown, autora do livroSeu Dinheiro ou Sua Vida”, já traduzido para dez idiomas, em que ela analisa o problema do consumismo desenfreado que desequilibra a vida de muitas das suas vítimas, pelo descontrole que toma conta do indivíduo. 

Uma das fundadoras do movimento Simplicidade Voluntária, a escritora americana prega a abstinência do luxo, o respeito ao meio ambiente e considera que o grande mal do planeta é o consumismo, alerta todos os que ouvem suas palestras, a não buscarem a felicidade nos shoppings, e pensar duas vezes para abrir a carteira e fazer os cálculos muito bem feitos, antes de comprar qualquer coisa, procurando verificar quantas horas de trabalho precisará para ganhar o dinheiro que se pretende gastar.
 
Inquirida sobre o porquê de se consumir tanto nos dias de hoje; respondeu: “Porque a cultura do consumismo vende a vergonha. Se a propaganda puder envergonhar alguém, terá um consumidor em potencial. As pessoas se envergonham de não ter algo. E correm às compras para cobrir essa vergonha imediatamente. Dessa forma, nossa cultura vende vergonha e sentimento de inferioridade. E ninguém quer ser inferior aos outros”.
 
Logo a seguir, explica como isso acontece: “As propagandas passam a idéia de que você é infeliz, gorda e feia. Ao comprar determinado produto, porém, poderá ser feliz, jovem, magra. E com namorado. Sutilmente, dizem que podem melhorar sua vida. Além disso, a cultura do consumo corta a ligação com a família. Quem tem amigos não consome tanto. Quando se tem família, tudo acontece ao redor dela. Longe de ambos, é preciso pagar por tudo. O consumismo cresce quando essas ligações são rompidas. O consumismo nos ensina que o mundo é morto, sem vida. Ele faz você se sentir sozinho. Por isso, tento re-conectar as pessoas entre si e com seu mundo interior”.
 
Quando, perguntada sobre se as pessoas são mais felizes por comprarem mais, ela assim se expressa: - “É o que chamamos de curva da felicidade. Quando você compra o que é necessário para sobreviver, há muita alegria em relação ao valor gasto. Quando é por conforto, a alegria é menor. Depois de certo ponto, comprar não dá mais felicidade. Tudo será lixo - coisas que você compra, mas que não lhe dão nada. Pode ser até mesmo uma casa”.
 
Em seguida, a escritora americana, responde de forma bem simples, a pergunta formulada pela citada revista, se épossível levar uma vida simples nas grandes cidades? Dizendo: “É uma vida com intenções, na qual a pessoa pensa em seus valores e no que é importante. É uma maneira de refletir sobre o que está acontecendo. Quem sonha muito não está refletindo. Se refletimos, podemos nos distanciar dos assuntos e ponderar melhor. Depois, voltamos ao curso normal da vida com mais consciência. Muitas vezes, numa sociedade consumista, as pessoas se dão conta de que têm muito, consomem muito, fazem tudo muito rápido e não têm horas suficientes para fazer o que realmente querem. É a doença do muito. O consumismo nos distrai e enche todas as horas do dia. Quando estamos cansados, não temos tempo sequer para pensar no que realmente queremos. Vida simples é viver com o suficiente, o essencial”.
 
Fala-nos ainda que as crianças de hoje começam a consumir muito cedo; enfocando que: - “A indústria de propaganda mira conscientemente as crianças. Sabe que, se as ensinam cedo a tomar Coca-Cola em vez de Pepsi, a vida inteira consumirão Coca-Cola sem se dar conta. As agências de propaganda sabem detalhes como o tom de vermelho de que uma criança de 2 anos gosta. As crianças ficam muito tempo em frente à televisão. Nos primeiros cinco anos, aprendem a realidade por meio da TV. Por isso é muito difícil uma pessoa, ao chegar aos 40, se dar conta de que algo que ela entende desde a infância como verdade não é verdade. A Coca-Cola vai ser melhor que a Pepsi para sempre”.
 
Alerta, a escritora americana, para o fato de as pessoas contaminadas pela peste do consumismo, nunca se darem conta disso, porque, – “O ser humano só descobre o que quer ao ver o que o outro tem. Nessa cultura da propaganda, vemos muita gente com muito mais que nós. O estilo de vida dos ricos está nas revistas. Disso surgem os desejos. Se você não pode ter algo, fica deprimido. Compra para não se sentir pior que o outro. É o que acontece com os negros americanos, que compram para ser como os brancos. Nos Estados Unidos, somos tão racistas que os negros se endividam para comprar as mesmas coisas que os brancos. Com isso, criam dívidas enormes”.
 
Em vista do exposto, é preciso se ter muita cautela em relação às nossas reais necessidades de consumo, para não sermos também vítimas desse mal que cresce de forma surpreendente a desgraçar a vida de inúmeras famílias de todas as classes sociais, com efeito maior e bem mais devastador naquelas de menor poder aquisitivo.
 
Por essa razão, cada vez mais nos certificamos do valor da mensagem espírita, que nos esclarece para os cuidados que precisamos tomar contra esse perigoso mal que infelicita a tantas criaturas em todo o mundo, justamente pela falta de observação para suas reais necessidades da vida, aumentando nosso entendimento e compreensão de que, não precisamos da grande maioria dos bens supérfluos que nos matamos para conseguir…
 
No livro Episódios Diários, a benfeitora Joanna de Ângelis, nos assevera:
   
“O Consumismo atual responde por muitos problemas. As indústrias do supérfluo apresentam no mercado um sem-número de produtos desnecessários, que aturdem os indivíduos. Estimulados pela propaganda bem elaborada, desejam comprar, mesmo sem poder o que vêem, o que lhes é apresentado, numa volúpia crescente”.
 
Mais à frente esclarece: (…) consumismo é fantasia, transferência do necessário para o secundário. O consumidor que não reflete antes de adquirir, termina consumido pelas dívidas que o atormentam. Muita gente faz compras, por mecanismos de evasão.
 
(…) Insatisfeitas consigo mesmas, fogem adquirindo coisas mortas, e mais se perturbando. Confere a necessidade legítima, antes de te permitires o consumismo” .
 
Os Imortais da Vida Maior responderam a Allan Kardec, seus questionamentos sobre o assunto conforme segue:
 
Necessário e supérfluo
 
715. Como pode o homem conhecer o limite do necessário?
 
 “Aquele que é ponderado o conhece por intuição. Muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa.”
 
716. Mediante a organização que nos deu, não traçou a Natureza o limite das nossas necessidades?
 
“Sem dúvida, mas o homem é insaciável. Por meio da organização que lhe deu, a Natureza lhe traçou o limite das necessidades; porém, os vícios lhe alteraram a constituição e lhe criaram necessidades que não são reais.”
 
717. Que se há de pensar dos que açambarcam os bens da Terra para se proporcionarem o supérfluo, com prejuízo daqueles a quem falta o necessário?
 
“Olvidam a lei de Deus e terão que responder pela privações que houverem causado aos outros.”
Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A Civilização criou necessidades que o selvagem desconhece e os Espíritos que ditaram os preceitos acima não pretendem que o homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A Civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio. Os que vivem à custa das privações dos outros exploram, em seu proveito, os benefícios da Civilização. Desta têm apenas o verniz, como muitos há que da religião só têm a máscara.
 
Resta-nos, seguir os ensinamentos contidos na filosofia espírita, para entendermos que as coisas de fora não equacionarão nossos estados íntimos qualquer que seja nossa dificuldade, dão-nos a falsa impressão de que resolveremos nossas aflições, para em seguida nos mostrarem que são na verdade incapazes de nos dar a paz que buscamos de forma equivocada, e que só encontraremos com a disposição de fazer a nossa real modificação interior, na busca e no desenvolvimento dos valores morais espirituais que jazem latentes no imo do nosso ser, a espera da nossa disposição de utilizá-los.
 
Fontes:
Livro Episódios diários - Divaldo Pereira Franco - Joanna de Ângelis– Livraria Espírita “Alvorada” 1ª Edição- 25 Capítulo.
 
Livro dos Espíritos – Allan Kardec – FEB. 76ª Edição
 
Revista Época.
 
 
Francisco Rebouças.
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